Entenda como se equilibram competições nos Parajasc conforme deficiência dos atletas

0
189

Por Heron Queiroz

Com 11 modalidades esportivas adaptadas, os Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc) são hoje um dos principais eventos de paradesporto do Brasil. Abrangendo 1.720 atletas com deficiência auditiva (DA), física (DF), visual (DV) e intelectual (DI), sendo esta última incluída de forma pioneira no país no projeto catarinense, a 14ª edição dos Parajasc acontece de 10 a 14 de outubro em Jaraguá do Sul.

Você sabia, porém, que num evento como os Parajasc, as competições não se dividem apenas por deficiências, mas também pelo grau de cada uma delas? Para isso, a organização do evento conta com classificadores funcionais. São profissionais da área da Educação Física, da Fisioterapia ou da Medicina, com curso especializado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

É a atividade de classificação que estabelece quem pode competir contra quem de forma justa. Assim, algumas modalidades se desdobram por suas classificações, estabelecendo competições diferentes numa mesma modalidade, e outras exigem equipamentos ou posturas que mantenha os competidores em igualdade.

A classificação é atribuída por número, acompanhados por letras que definem a modalidade. No atletismo, são usadas as letras F (field – campo em inglês) ou T (track – pista). Os DV recebem números de 11 a 13, os DI têm o número 20, os DA recebem classificação 22 e os DF recebem de 31 a 57, considerando anões, amputados, cadeirantes etc.

No basquete em cadeira de rodas, os atletas recebem uma classificação funcional de 1 a 4,5 pontos, conforme comprometimento motor: quanto menor o comprometimento do atleta, maior a pontuação. Durante o jogo, a soma dos pontos dos cinco jogadores no time não pode ultrapassar os 14.

Na bocha paralímpica, destinada a atletas com paralisia cerebral as classificações são BC1, BC2, BC3 e BC4, que vão desde atletas que conseguem arremessar a bola àqueles que têm maior dificuldade de arremesso, necessitando para isso de uma rampa para bolas (calha) e até mesmo, quando não possui movimentos nos braços, de um capacete adaptado com haste para impulsionar a bola, além do auxílio de um calheiro. A este cabe o direcionamento da calha apenas pela comunicação do atleta, sem que o auxiliar conheça o posicionamento das bolas.

Na natação, a letra “S” antes da classe representa provas de estilo livre, costas e borboleta. As letras “SB” referem-se ao nado peito, e “SM” indica eventos medley individuais. Quanto menor o número, maior a deficiência. De 1 a 10, atletas com deficiências físicas; de 11 a 13, atletas com deficiências visuais (11 tem pouca ou nenhuma visão); e 14, atletas com deficiência intelectual.

No tênis de mesa, há 11 classes. Quanto maior o número, menor o comprometimento físico-motor. “TT” antes do número de classificação indica a modalidade. Numeração de 1 a 5 classifica atletas DFs cadeirantes; de 6 a 10, andantes; e 11 DIs.

No ciclismo, os DVs usam bicicletas tandem (com dois assentos). Um ciclista sem deficiência vai no banco da frente. No golbol, apesar da classificação em B1, B2 e B3, os atletas usam vendas para dar igualdade de condições. O xadrez para cegos implica o uso de tabuleiros com orifícios em cada casa, de forma que o jogador possa localizar o posicionamento das peças. Na bocha raffa vollo para DV, o técnico descreve ao jogador o posicionamento do bolim e indica direção e força para o arremesso.

As demais modalidades são realizadas com pequenas adaptações ou nenhuma, senão visando somente às disputas o mais possível justas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here